Resumos para o 3º teste

09-03-2025

A Cognição

A memória é essencial para nossa identidade, ajudando-nos a estabelecer vínculos e a lembrar de nossas metas. Segundo a psiquiatra Maria Moreno, queixas sobre esquecimento são frequentes, mas nem sempre indicam demência, pois há causas reversíveis e tratáveis. Ela ressalta que o estudo da mente e das emoções deve sempre considerar a vida social e cotidiana. Por fim, questiona até que ponto a perda da memória pode nos afastar de quem realmente somos.

A mente humana vai além da memorização, inteligência e aprendizagem, envolvendo múltiplos processos na tomada de decisão. Escolhas, como a de um curso universitário, não são apenas racionais, pois envolvem três tipos principais de processos:

  • Cognitivos: relacionados à aquisição, transformação e uso da informação, como a pesquisa sobre cursos e empregabilidade.

  • Emocionais: ligados aos sentimentos e afetos, influenciando decisões conforme a realização pessoal e felicidade.

  • Motivacionais: responsáveis pela energia investida para alcançar objetivos, estimulando maior dedicação diante de desafios.


Cognição: todas as formas de conhecimento e consciência, tais como: perceber, memorizar, aprender, raciocinar, imaginar, resolver problemas, etc.

Sensação e perceção

Os sentidos são responsáveis por nos informar sobre o ambiente e o nosso próprio corpo, e o processo de perceção começa com a sensação, que é gerada pelos recetores sensoriais. Estes recetores estão localizados nos órgãos dos sentidos e convertem os estímulos (luminosos, mecânicos ou químicos) em impulsos elétricos, que são enviados ao cérebro para serem processados e interpretados. Cada tipo de recetor é especializado em detectar estímulos específicos, como a pele, que detecta pressão, vibração e temperatura, ou os olhos, que captam luz e cores.

Embora tradicionalmente reconheçamos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato), sabe-se que existem outros, como os sentidos responsáveis pelo equilíbrio (através do ouvido interno) e pela percepção do movimento (cinestesia). Esses sentidos adicionais nos ajudam a interagir com o mundo e a manter o equilíbrio corporal. Todos os sentidos são essenciais para nossa sobrevivência, pois nos alertam sobre o ambiente e o estado do nosso corpo.


Sensação: Reação dos órgãos recetores sensoriais aos estímulos do meio. Implica a existência de um estímulo, por exemplo, visual, sonoro, tátil, olfativo ou gustativo, uma impressão provocada no recetor e transmitida ao sistema nervoso central e um processo psicofisiológico que dá origem à sensação.

A psicofísica tem-se preocupado em encontrar respostas para esta questão e em perceber como a força e a intensidade de um estímulo afetam a sensação que o observador experiencia. Das investigações da psicofísica emergem dois conceitos fundamentais: limiar absoluto e limiar diferencial.

Limiar absoluto e limiar diferencial

O sistema sensorial humano percebe pequenas diferenças no ambiente, mas não detecta todos os estímulos, especialmente os muito fracos ou fora do seu alcance.

A sensação refere-se à captação de estímulos pelos recetores sensoriais e sua transmissão ao cérebro, enquanto a perceção é o processamento dessas informações, resultando em representações mentais. É a perceção que nos permite reconhecer rostos, dar significado a uma música ou apreciar uma paisagem.


A organização percetual foi estudada pelos psicólogos da Gestalt, que defendiam que organizamos a realidade distinguindo figura e fundo e agrupando elementos para criar significado. Por exemplo, ao ler um texto, distinguimos as letras (figura) do papel branco (fundo) e agrupamos palavras para dar sentido à leitura. O mesmo ocorre com uma melodia, onde as notas se destacam dos ruídos do ambiente.

As descobertas da Gestalt influenciaram os estudos modernos sobre perceção e são amplamente aplicadas em áreas como o marketing e a publicidade.

A organização percetual foi estudada pelos psicólogos da Gestalt, que defendiam que organizamos a realidade distinguindo figura e fundo e agrupando elementos para criar significado. Por exemplo, ao ler um texto, distinguimos as letras (figura) do papel branco (fundo) e agrupamos palavras para dar sentido à leitura. O mesmo ocorre com uma melodia, onde as notas se destacam dos ruídos do ambiente.

A distinção entre figura e fundo é essencial para a perceção. Um exemplo clássico é o das letras impressas no papel, onde distinguimos a figura do fundo. Além disso, figuras-fundo reversíveis demonstram como um mesmo estímulo pode gerar perceções diferentes.

Os princípios de agrupamento das unidades percetivas mostram como organizamos a informação visualmente. Estes incluem a proximidade, semelhança, continuidade e fechamento, permitindo que percetamos padrões e estruturas organizadas.

A perceção de profundidade é possível graças a indicadores que podem ser binoculares (como a estereoscopia e disparidade binocular) ou monoculares (como interposição, gradiente de textura e perspetiva linear), possibilitando que vejamos o mundo em três dimensões.

Por fim, a constância percetiva garante uma perceção estável do ambiente, mantendo o tamanho, forma, localização, brilho e cor dos objetos relativamente inalterados, mesmo sob diferentes condições de iluminação ou perspetiva.

As descobertas da Gestalt influenciaram os estudos modernos sobre perceção e são amplamente aplicadas em áreas como design, marketing e publicidade, ajudando a criar comunicações visuais mais eficazes e intuitivas.


Perceção: Processo ativo de organização e interpretação das informações sensoriais. Difere da sensação, na medida em que é uma atividade cognitiva pela qual conferimos sentido e significado à informação sensorial, isto é, transformamos em conhecimento significativo os estímulos do meio.


Princípios de agrupamento (ou leis da perceção)

Proximidade: Elementos espacial ou temporalmente próximos tendem a ser reunidos na mesma configuração.



Semelhança: Elementos semelhantes tendem a ser reunidos na mesma configuração.



Continuidade: Tendemos a preferir formas harmoniosas ou contínuas, em vez de descontínuas:



Fechamento: Tendemos a completar os objetos que não estão completos.

Exemplos de indicadores monoculares de profundidade:

Interposição: Quando um objeto bloqueia parcialmente a visão de outro, entendemos que o primeiro está mais próximo.

Exemplo: Em uma pintura, uma árvore na frente de uma casa faz parecer que a árvore está mais perto.


  • Paralaxe de movimento: Objetos mais próximos parecem se mover mais rápido do que objetos distantes quando nos movemos.

Exemplo: Ao olhar pela janela do carro, postes próximos passam rapidamente, enquanto montanhas ao longe parecem se mover devagar.


  • Tamanho relativo: Se sabemos que dois objetos têm o mesmo tamanho, aquele que aparece menor na visão está mais distante.

Exemplo: Dois carros da mesma marca e modelo, sendo que o menor na imagem parece estar mais longe.


  • Gradiente de textura: Detalhes de uma superfície ficam mais nítidos e definidos quando estão perto e mais suaves ou desfocados quando estão longe.

Exemplo: Em um campo de flores, as pétalas próximas são bem detalhadas, enquanto as ao longe parecem menos definidas.


  • Perspetiva linear: Linhas paralelas parecem convergir à distância, criando a ilusão de profundidade.

Exemplo: Trilhos de trem que parecem se encontrar no horizonte.


  • Sombra e luz: A luz e as sombras criam profundidade ao indicar o relevo e a posição dos objetos no espaço.

Exemplo: Uma bola iluminada de um lado cria uma sombra do outro, sugerindo sua forma tridimensional.


A constância percetiva mecanismo que estabiliza a perceção do mundo ao nosso redor, garantindo que objetos sejam reconhecidos independentemente de mudanças em iluminação, ângulo ou distância.

No entanto, esse processo pode ser enganado por ilusões óticas, que ocorrem quando a perceção não corresponde à realidade física. As ilusões são amplamente estudadas na psicologia e neurociência, pois revelam como o cérebro processa informações visuais.

A ilusão de Ponzo é um exemplo clássico de ilusão tamanho-distância. Ela ocorre porque os indicadores monoculares de profundidade fazem com que nosso cérebro interprete uma figura bidimensional como tridimensional.

Na imagem, duas linhas horizontais idênticas são colocadas sobre trilhos que convergem para um ponto de fuga. O nosso cérebro interpreta a linha superior como maior do que a inferior, pois os trilhos criam uma sensação de profundidade, levando-nos a perceber a linha mais distante como maior, mesmo tendo o mesmo tamanho da linha mais próxima.

Memória e atenção

Codificação, retenção e recuperação são interdependentes, pelo que o sistema de memorização só funcionará eficazmente se todas elas estiverem operacionais.

Memória: habilidade para adquirir e conservar informações ou representações da experiência passada com base nos processos mentais de codificação, retenção e recuperação. É um campo complexo de processos baseados em mecanismos biológicos e psicológicos.


3 tipos/ subsistemas de memória:

  • Memória sensorial (ou depósito de informação sensorial).

  • Memória de curto termo (ou memória de trabalho).

  • Memória de longo termo.


Memória sensorial (MS)

Com uma capacidade muito limitada, constitui a primeira etapa no estabelecimento de um registo duradouro das nossas experiências.

Permite conservar as caraterísticas físicas de um estímulo (visual, auditivo, olfativo, tátil ou gustativo) captado pelos órgãos sensoriais durante algumas frações de segundo.

Por exemplo, a memória sensorial visual (icónica) contribui para a nossa perceção do movimento e a memória sensorial auditiva (ecoica) é indispensável para que percebamos palavras e frases.

Para que a informação não se desvaneça e possa ser transferida para a MCT é necessário o envolvimento da atenção.

A atenção corresponde, de forma simples, á capacidade de focar um evento ou situação.

Memória de curto termo (MCT)

Graças á atenção, uma parte da informação que chega aos órgãos sensoriais é transferida para a MCT.

A capacidade deste tipo de memória, tal como acontece com a sua duração, é limitada, sendo da ordem de sete dígitos, palavras ou elementos distintos.

A MCT permite guardar informação durante cerca de 20 segundos.

Funcionando como uma unidade processadora ativa e extremamente útil, a MCT constitui uma importante memória de trabalho, permitindo a exploração da informação da MS (através da repetição) e mantendo presente informação guardada na MLT (através da recuperação).


Memória de longo termo (MLT)

Dos 3 tipos de memória, a MLT é aquela que se aproxima mais daquilo a que vulgarmente chamamos memória.

É relativamente ilimitada, permanente e construída, tal como a MS e a MCT, a partir de todas as modalidades dos sentidos, armazenando os conhecimentos que possuímos de nós mesmos e do mundo durante longos períodos de tempo.

Por norma, os cientistas dividem as memórias em 2 tipos: implícitas e explícitas.

Atenção: Fixação da mente num determinado objeto. Estado de consciência em que os sentidos estão focados em certos aspetos do ambiente e o sistema nervoso central está em estado de prontidão para responder a estímulos. Pode falar-se de atenção seletiva e de atenção dividida.


O esquecimento

A memória humana não funciona como um dispositivo de registro preciso, mas sim como um sistema sujeito a falhas, distorções e reconstruções inconscientes. As falhas de memória podem ocorrer por problemas na codificação ou na recuperação das informações.


Duas teorias que explicam o esquecimento:

  • Teoria da interferência: No âmbito desta teoria, defende-se a ideia de que há uma competição entre informação, isto é, que as novas informações se intrometem levando-nos a distorcer ou a esquecer as anteriores.

  • Teoria da degradação: No âmbito desta teoria, acredita-se que o fragmento original de informação vai, por si só, desaparecendo gradativamente, como um risco de tinta que se desvanece com o tempo, a menos que façamos algo para o manter intacto.


O psicólogo Daniel Schacter identificou, em 1999, sete "pecados da memória", que representam falhas comuns no processo de recordação. Seu trabalho foca nos aspetos biológicos e psicológicos da memória e do esquecimento.

As falhas de memória podem ter origem em lesões no tecido cerebral:

  • Amnésia anterógrada: perturbação da memória na qual, após uma lesão no tecido cerebral, o indivíduo não é capaz de formar novas recordações, mas não tem dificuldade em lembrar o que aprendeu antes da lesão (anterógrada significa para diante).

  • Amnésia retrógrada: perturbação na qual o indivíduo sofre uma perda de memória de um período anterior à época da lesão cerebral, contudo mantém a capacidade de formar novas memórias (retrógrada significa para trás).


Elizabeth Loftus é uma psicóloga norte-americana, especialista em memória humana. Suas pesquisas demonstram que a memória é falível e pode ser influenciada por fatores externos, levando à criação de falsas memórias. Seus estudos tiveram grande impacto na psicologia, no direito e na criminologia


Aprendizagem

A aprendizagem não se resume à aquisição de novos conhecimentos, mas envolve também a modificação de comportamentos, tanto pela adoção de novas condutas quanto pelo abandono de hábitos inadequados. Ela não é necessariamente intencional, nem sempre correta, e só pode ser inferida pelo comportamento do indivíduo. Para ser considerada aprendizagem, a mudança deve ser estável e influenciar o comportamento ou os processos mentais.


Existem diferentes formas de aprendizagem:

  • Simbólica: ocorre por observação e imitação, envolvendo representações e símbolos (exemplo: aprender através de um professor).

  • Não simbólica: ocorre por habituação, sensibilização ou condicionamento (exemplo: acostumar-se a ruídos urbanos para dormir).


Dois principais processos de aprendizagem são:

Condicionamento comportamental:

  • Condicionamento clássico (Pavlov): associação entre estímulos, como a relação entre relâmpago e trovão.

  • Condicionamento operante: associação entre comportamento e consequência (exemplo: estudar para obter boas notas).


Aprendizagem cognitiva:

  • Aprender por insight, observação e imitação (exemplo: aprender a conduzir observando outros motoristas).


O condicionamento clássico foi estudado por Ivan Pavlov, que demonstrou como cães podiam aprender a associar estímulos neutros (como o som de uma campainha) à apresentação de comida, levando à produção de uma resposta condicionada (salivação). Essa teoria mostrou que a aprendizagem pode ocorrer por meio da associação de estímulos e é um princípio fundamental na Psicologia da Aprendizagem.

A aprendizagem pode ocorrer de diversas formas, sendo o condicionamento clássico e o condicionamento operante dois dos principais processos estudados pela Psicologia.


Condicionamento Clássico

O condicionamento clássico, descoberto por Ivan Pavlov, explica a aprendizagem de respostas involuntárias. Pavlov observou que cães aprendiam a associar estímulos neutros (como o som de uma campainha) à comida, passando a salivar apenas ao ouvir esse som. Esse processo ocorre através da repetição de associações entre estímulos, levando à formação de respostas condicionadas. No entanto, esse modelo não explica comportamentos voluntários.


Condicionamento Operante

Para compreender ações voluntárias, Edward Thorndike desenvolveu a lei do efeito, que estabelece que comportamentos seguidos de consequências satisfatórias tendem a ser repetidos, enquanto aqueles com resultados desagradáveis tendem a ser eliminados. Em suas experiências com gatos em caixas-problema, observou que os animais aprendiam a escapar mais rapidamente após várias tentativas, reforçando a ideia de que o comportamento é moldado pelas consequências.


Burrhus Skinner, por sua vez, aprofundou essa teoria, formulando o condicionamento operante, que explica como aprendemos a agir para obter recompensas ou evitar punições. Ele desenvolveu a "caixa de Skinner", onde ratos aprendiam a pressionar uma alavanca para receber comida (reforço positivo) ou para cessar um estímulo desagradável, como um som alto (reforço negativo).


Diferença entre Condicionamento Clássico e Operante

  • Condicionamento clássico: associação entre estímulos que resulta em uma resposta automática (exemplo: associar uma música a um sentimento).

  • Condicionamento operante: aprendizagem baseada nas consequências do comportamento (exemplo: um cão aprende a sentar porque recebe um biscoito ao fazê-lo).


O reforço desempenha um papel essencial no condicionamento operante:

  • Reforço positivo: recompensa que aumenta a probabilidade de repetição do comportamento (exemplo: aplaudir um ator após uma boa atuação).

  • Reforço negativo: remoção de um estímulo aversivo para aumentar um comportamento (exemplo: tomar um analgésico para aliviar a dor de cabeça).


Ambos os tipos de condicionamento foram fundamentais para o desenvolvimento da Psicologia Comportamental, ajudando a compreender como humanos e animais aprendem e moldam seus comportamentos ao longo do tempo.


Aprendizagem: Mudança relativamente estável e duradoura do comportamento ou das capacidades do indivíduo, adquirida como resultado da observação prática, estudo ou experiência, que se traduz num aumento do seu repertório de competências e saberes.


Com as investigações de Skinner ele conclui que o condicionamento operante envolve os mesmos princípios que condicionamento clássico:

Apesar de parecerem semelhantes, o reforço negativo e a punição são distintos:

  • O objetivo do reforço é aumentar a frequência do comportamento e o da punição é reduzir a sua frequência.

  • Positivo e negativo querem dizer adicionar e eliminar, não tendo nada a ver com bom ou mau.


Principais processos envolvidos no condicionamento clássico e no condicionamento operante:

Para Köhler a aprendizagem não resultava apenas, como propunha Thorndike, de um processo de tentativa e erro, mas também do insight ou compreensão súbita.


Os estudos de Köhler incluíam dois tipos de situações experimentais:

  • Experiências mais simples envolvendo elementos próximos uns dos outros: por exemplo, uma situação em que o chimpanzé se encontra no interior de uma jaula onde está também uma vara que foi colocada perto das grades e próxima de uma banana que se encontra pendurada no exterior da jaula e fora do seu alcance.

  • Experiências de maior dificuldade envolvendo elementos distantes uns dos outros: por exemplo, uma situação onde toda a disposição dos elementos é semelhante - o chimpanzé está dentro da jaula e existe uma banana no seu exterior fora do seu alcance no entanto, a vara foi colocada no interior da jaula, mas longe das grades.

Embora, inicialmente, os chimpanzés não fizessem associações entre os vários elementos, através da reestruturação percetual ligavam-nos subitamente entre si (por via do insight resultante de várias tentativas que fornecem a assimilação das relações entre os elementos) e resolviam o problema.


Insight: Forma de aprendizagem que se faz de forma súbita, quando a resposta para um problema surge de forma repentina e inesperada. No insight, os elementos que permitem a resolução do problema já fazem parte da estrutura cognitiva do sujeito, mudando a forma como são associados. A solução surge como se de um "momento de inspiração" se tratasse.


Teoria de Bandura

Aprendemos observando e imitando modelos (modelagem). Nem toda aprendizagem vem de reforço direto, podemos aprender vendo os outros serem recompensados (reforço vicariante).


O reforço vicariante é parte da teoria de Bandura sobre a aprendizagem por observação, implicando quatro condições para ser eficaz:

1. Atenção ao modelo.

2. Retenção do que se viu ou ouviu.

3. Reprodução ou imitação sem erro.

4. Motivação para que o comportamento seja integrado no conjunto de respostas do sujeito, por exemplo, a expectativa de uma recompensa.


Experiência do Boneco Bobo (1961)

Grupo 1: um grupo de crianças observa um adulto, satisfeito, a gritar e a maltratar fisicamente o boneco bobo.

Grupo 2: um grupo de crianças observa um adulto a brincar e a ignorar o boneco bobo.

Grupo 3: não observa qualquer adulto.


Na segunda etapa, todas as crianças brincam na sala, onde se encontram vários brinquedos, incluindo o boneco bobo. Elas tendem a imitar o adulto observado a ter um comportamento agressivo com o boneco bobo. Elas revelam também mais agressividade para com os outros brinquedos da sala.

As crianças que observaram o adulto a ignorar o boneco bobo são as menos agressivas, mesmo comparadas com aquelas que nem se quer observaram nenhum adulto. Este estudo confirma a hipótese de bandura de que as crianças aprendem a comportar-se de forma agressiva mediante observação e imitação dos adultos.

  • Aprendemos muito pelo exemplo dos outros.

  • A violência pode ser aprendida por observação, reforçando a importância dos modelos na vida social.

  • A teoria de bandura une comportamento e cognição, mostrando que a aprendizagem não é só estímulo- resposta (skinner), mas envolve processamento mental.


Inteligência

A inteligência está associada à cognição e aos processos cognitivos, mas sua definição não é consensual. De maneira geral, envolve:

  • Aprender com a experiência;

  • Adaptar-se ao meio ambiente;

  • Enfrentar situações novas e resolver problemas;

  • Explorar conhecimentos;

  • Raciocinar de forma criativa e adaptativa.


A inteligência pode ser herdada ou adquirida, e há diferentes teorias que tentam explicá-la.


Teoria Bifatorial da Inteligência (Charles Spearman)

Para Spearman, o comportamento inteligente impõe a combinação entre:

  • O fator geral ou fator G (capacidade para discernir relações complexas), o qual está presente num mesmo indivíduo no mesmo grau para todos os atos intelectuais.

  • Os fatores específicos ou fatores S (por exemplo, visual, verbal e numérico), que são responsáveis por atividades intelectuais específicas.


As diferenças individuais na inteligência geral seriam explicadas, segundo Spearman pela maior ou menor certeza em 3 componentes básicos do fator G:

  • Apreensão das experiências: Capacidade para codificar informação.

  • Estabelecimento de relações: Capacidade para inferir ou estabelecer relações entre duas ou mais ideias.

  • Educação de correlatos: Capacidade para aplicar a relação inferida, criando novas ideias.



Teoria multifatorial da inteligência (Louis Thurstone)

Louis Thurstone defendeu uma perspetiva pluralista no âmbito da qual a inteligência não reside num único fator geral, mas na combinação de sete aptidões gerais, que designou por aptidões mentais primárias.

Estas aptidões, entendidas pelo autor como fatores comuns ao desempenho de determinados grupos de tarefas, constituíram o centro da teoria multifatorial da inteligência.

  • Compreensão verbal: compreensão de ideias expressas através de palavras.

  • Fluência verbal: Produção rápida de palavras a partir de instruções apresentadas.

  • Numérica: Gestão de números e produção rápida de operações aritméticas simples.

  • Espacial: Visualização de objetos num espaço bidimensional ou tridimensional.

  • Memória: Evocação de estímulos anteriormente apresentados.

  • Velocidade percetiva: Visualização rápida e acuidade de pequenas diferenças ou semelhanças.

  • Raciocínio: Resolução de problemas lógicos.



Teoria das inteligências múltiplas (Howard Gardner)

Os efeitos de lesões cerebrais, a existência de indivíduos portadores da síndrome de savant, de sobredotados e de outros indivíduos excecionalmente talentosos em áreas específicas conduziram Gardner à constatação da independência entre as diferentes capacidades cognitivas.

Gardner propôs a teoria das inteligências múltiplas, segundo a qual as capacidades cognitivas humanas envolveriam oito inteligências.

Para Gardner, a forma como cada pessoa mistura ou combina os diversos tipos de inteligência gera múltiplas formas de comportamento inteligente.

  • Inteligência Linguística: Leitura de livros, escrita de textos e compreensão das palavras.

  • Inteligência Lógico Matemática: Resolução de problemas matemáticos, tarefas que exigem o pensamento dedutivo.

  • Inteligência Corporal- Cinestésica: Atividades desportivas, dança, ações que exijam controlo e coordenação do movimento.

  • Inteligência Musical: Execução, composição e apreciação de padrões musicais.

  • Inteligência Espacial: Deteção de padrões, interpretação de mapas, orientação de objetos e pessoas no espaço.

  • Inteligência Interpessoal: Relações com os outros, compreensão das suas emoções e comportamentos.

  • Inteligência intrapessoal: Compreensão de si mesmo.

  • Inteligência Naturalista: Reconhecer e categorizar seres e objetos da natureza.



Teoria triárquica da inteligência (Robert Sternberg)

Robert Sternberg defende que a inteligência é uma súmula de três inteligências:

  • Inteligência criativa ou capacidade para ir além dos dados, planear, criar e inventar ideias novas.

  • Inteligência analítica ou capacidade para analisar, comparar e avaliar ideias, resolver problemas e tomar decisões.

  • Inteligência prática ou capacidade para transformar a teoria em prática, as realizações humanas abstratas em produções práticas.


A teoria triárquica da inteligência humana procura explicar a relação entre:

  • Inteligência e mundo interno do indivíduo: Os mecanismos mentais subentendidos no comportamento inteligente.

  • Inteligência e mundo externo do indivíduo: A utilização destes mecanismos mentais na vida quotidiana no sentido de se ajustar ao meio.

  • Inteligência e experiência: O papel mediador das vivências entre os mundos interno e externo do indivíduo.

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